O planejamento financeiro pessoal deve fazer parte da sua vida

Independente do salário que você recebe, a disciplina é ingrediente que faz toda a diferença

Janeiro foi o mês das férias de verão. Fevereiro, carnaval. Março, além da volta às aulas, teve pagamento de IPTU, do IPVA e daquelas outras continhas que não estavam no orçamento. Nos demais meses do ano, as contas foram acumulando e, agora em novembro, você já planeja usar o seu 13° salário para pagar as dívidas. Essa é a realidade de grande parte da população brasileira. Pelo menos é o que aponta a pesquisa da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). De acordo com os dados, no ano passado, cerca de 85% das pessoas entrevistas pretendiam usar o salário extra do fim do ano para pagar dívidas já contraídas.

Economizar e ter um planejamento financeiro não é uma prática comum entre os brasileiros. Segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 62,4 milhões de brasileiros estão com as contas em atraso. Mas esta condição não é exclusiva de quem tem uma remuneração mais baixa. A dificuldade de organização financeira ocorre também entre os brasileiros de renda mais elevada.

Planejamento financeiro não tem a ver com quantidade de dinheiro, mas sim com disciplina. O primeiro passo a ser adotado é a conscientização do quanto você pode gastar e com o que você deve gastar. Eleger prioridades é fundamental e isso tem tudo a ver com planejamento. Tenha sempre em mente o quanto você ganha e quais são as suas necessidades básicas mensais. O estagiário – geralmente o funcionário que tem a menor remuneração dentro de uma organização – não precisa do salário do patrão para viver uma vida sem dívidas, basta que adeque os seus gastos ao padrão da sua remuneração. Isso não representa ser acomodado com o salário que ganha, mas sim ter vontade de adquirir bens maiores em um futuro próximo. Quem não gasta com supérfluos consegue planejar investimentos e programar aquisições.

Em resumo, o planejamento financeiro não é apenas uma etapa da sua vida, onde você percebe que precisa administrar melhor o seu dinheiro. Isso deve ser um processo contínuo, equilibrando o que entra e o que sai de dinheiro, controle das contas, possíveis investimentos e renegociação de dívidas, quando isso se faz necessário.

Parece difícil? Mas não é! Elaborar um plano financeiro é mais simples do que muita gente imagina. Comece reunindo o material com informações sobre a sua realidade financeira, extratos de conta corrente, comprovantes de compras recentes, comprovantes de renda, entre outros. Anote informações sobre o seu patrimônio e sobre as dívidas já adquiridas

É importante levantar o patrimônio que você possui e também as dívidas, parcelas adquiridas, contas fixas, pagamentos mensais, etc. A dica é criar o seu próprio sistema de controle financeiro, seja em uma agenda de papel, em um dos aplicativos para smartphones disponíveis no mercado, ou em uma planilha de Excel. Tenha em mente um objetivo para esta tarefa, focar em um propósito auxilia na disciplina. Trocar de carro, pagar uma faculdade, fazer uma viagem ou economizar são alguns exemplos.

Um controle simples muitas vezes é o suficiente para garantir ótimos resultados. Mas, o que deve fazer toda a diferença na sua metodologia é o abandono do consumo por impulso ou por ostentação.